Baía das Gatas: Calema foi a grande surpresa do último dia

O areal estava repleto de gente, principalmente jovens, à espera dos irmãos são-tomenses.

Calema

Calema

O terceiro dia do Festival Baía das Gatas começou com três horas de atraso. A organização ligou o atraso à chegada tardia dos artistas que iam atuar no “RapTrospektiva”, projeto escalado para abrir o terceiro dia.

Às 18 horas começou a viagem cronológica pelos 20 anos de história do rap crioulo em São Vicente com o projeto “RapTrospetiva”.

“Tentamos trazer os momentos-chave de cada geração, os grupos que marcaram cada geração porque não conseguiríamos colocar os 20 anos de história em uma hora, mas este projeto é para continuar", disse DJ Letra, que se emocionou quando lembrou de Boxis e Elizender, entre outros companheiros já falecidos.

Ice Company, o grupo pioneiro e que liderou a primeira geração do hip hop em São Vicente, não pôde estar representado e Dj Letra iniciou a atuação com as músicas do grupo.

Bairro Norte, IPV (Irmãos Para a Vida) e Black Side, grupos que também integram a primeira geração fizeram-se representar.

Da segunda geração houve poucas atuações devido à indisponibilidade dos membros dos grupos. Só esteve em palco o grupo Lod Escur.

Hip Hop Art, Double HB e Bairro Turbulent, da segunda geração, e MadRappers e Batchart representaram a mais recente geração.

De seguida foi a vez do projeto “Encontro de Novas Vozes” que reuniu jovens cantores das ilhas de São Vicente, Sal e Santiago. Numa mistura de estilos que variou entre a coladeira, o reggae, o zouk, o funk e a morna, durante cerca de uma hora, Débora Paris, Odailine Tavares, Josimar Gonçalves, Dainira Veríssimo e Sílvia Medina animaram a plateia.

Josslyn também estava no alinhamento do projeto mas não cantou. Segundo Txenta, diretor musical do projeto, ela não teve muito tempo de ensaio e isso deve ter motivado a ausência da artista. Já Josslyn, numa publicação na sua página oficial de Facebook, justificou a ausência.

“Devido às circunstâncias e o incumprimento do horário decidimos não fazer o show, (…) também devido a compromissos pendentes”, escreveu. “Peço desculpas, (…),a culpa não é minha e confesso que estou de coração partido”, lê-se no post.

Elida Almeida, que lançou recentemente um EP, o Djunta Kudjer, iniciou a atuação por volta das 21h15. "Tomam el", “Di mi ku di bo”, “Lebam ku bo” e tantos outros sucessos da artistas foram cantados em coro com o público.

“É a primeira vez que canto sozinha no palco do festival. Da outra vez dividi o tempo com a Ceuzany, mas desta vez tive uma hora sozinha a cantar para este público maravilhoso”, disse no fim da atuação.

Elida avançou ainda que se encontra a preparar mais um álbum, cujo lançamento prevê-se para o mês outubro. “Vai ter dez músicas novas e já está tudo pronto para o lançamento”.

Pouco passava das onze da noite quando os Ferro Gaita invadiram o palco com o seu funaná eletrizante. O grupo, que já conta 21 anos de carreira, fez os presentes dançarem do início ao fim do show.

"Acho que fazemos um bom trabalho que tem agradado o povo de Cabo Verde. Ferro Gaita tem um percurso louvável", disse Eduíno no fim.

“É um prazer enorme estar aqui”, Calema

A grande surpresa da noite foi a atuação da dupla Calema. O areal estava repleto de gente, principalmente jovens, à espera dos irmãos são-tomenses.

Durante uma hora cantaram e encantaram. “É um prazer enorme estar aqui. Os nossos avós são de Santiago, nascemos em São Tomé mas sentimos que somos de Cabo Verde”, disse Fradique.

“Ainda agora saímos do palco mas já temos saudades. A receção do público superou de longe as nossas expetativas”, confidenciaram os irmãos.

Pela primeira vez num país africano, Naldo Benny, foi o artista responsável por encerrar a 33ª edição do Festival Baía das Gatas. Eram quase 3h30 de segunda-feira, 14, quando o artista brasileiro começou a cantar.

Considerado o novo “fenómeno pop” no Brasil, trouxe ritmos do funk e muita animação no encerramento do festival. A família, que o acompanhou nesta aventura, esteve com ele no palco e a filha, Maria Vitória, proporcionou momentos de ternura.

Terminou agradecendo os que ficaram até o fim para assistir a sua atuação e pelo carinho que recebeu. “Gostaria de poder agradecer um por um com um abraço. Muito amor para vocês, galera de Cabo Verde”.

"Sabíamos que o cartaz era forte, estávamos confiantes", Augusto Neves

O presidente da Câmara Municipal, Augusto Neves fez um balanço positivo da edição deste ano do festival Baía das Gatas. “O balanço é positivo, tudo correu bem e hoje foi mais um dia de muito sucesso”, disse.

Para Augusto Neves, o resultado do esforço da organização refletiu-se no evento que durou três dias e acredita ter estado no agrado de todos.

“Foi possível movimentar a economia envolvendo vários setores e é neste sentido que trabalhamos, para ter um festival cada vez melhor”, frisou.

Reconhece que ainda é preciso algumas melhorias e acredita que “estas vão acontecendo pouco a pouco, colmatando as falhas ano a ano”.

“A organização passa meses a organizar este evento de três dias e por isso é um grande trabalho. Sabíamos que o cartaz era forte, estávamos confiantes”, disse e a título de exemplo fala da escolha da fadista Mariza para a abertura do evento. “Tínhamos a certeza que ia resultar no grande espetáculo que foi”, garante.

No ano em que a CMSV homenageou a juventude mindelense, Augusto Neves acredita que conseguiram “fazer um evento à altura do povo de São Vicente”.

“Ainda não temos o balanço da Cruz Vermelha e da Polícia Nacional mas pelas informações que tivemos ao longo desses dias não houve nada de registo”, avançou.

A organização aproveitou este fim-de-semana de festival e no âmbito da semana da juventude realizou algumas campanhas de sensibilização, no espaço da Baía das Gatas, sobre o consumo de álcool e drogas, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, entre outros.

Até o fecho desta edição não nos foi possível conversar com a Cruz Vermelha e nem com a Polícia Nacional para o balanço final do evento.

Cai assim o pano sobre a 33ª edição do Festival Baía das Gatas. Augusto Neves assegurou que já se começou a planear a 34ª edição.

 

Veja quem esteve no palco no terceiro dia aqui


O público que esteve no baía no dia 13 aqui

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