Baía das Gatas rende-se à voz poderosa de Mariza e à energia contagiante de Joelma

A fadista Mariza foi a grande surpresa da noite. Cantou em crioulo, dançou e dividiu o palco com o músico Tito Paris. Joelma, que pela segunda vez pisa o palco do Baía das Gatas, fez vibrar o público, que não arredou o pé, até o sol raiar.

Mariza e Joelma

Mariza e Joelma

Este ano, a organização optou por convidar uma artista internacional para abrir o palco de um dos maiores festivais de música do país. E a abertura não poderia ter corrido da melhor forma, com a fadista portuguesa Mariza a cantar em crioulo e a interagir com público que respondeu à altura.

O festival iniciou com cerca de 45 minutos de atraso por causa da fraca afluência do público, que, como é hábito, nunca está em grande número na abertura do festival. O apresentador do certame, José Leite, por três vezes subiu ao palco para pedir aos presentes que se aproximassem.

Por volta das 21h45, Mariza subiu ao palco. E a medida que a atuação decorria, o público foi-se juntando à frente do palco, formando uma moldura que há muito não se via na abertura do festival.  

A fadista encheu o recinto com a sua voz poderosa. Cantou “Padoce d’Céu azul”, de Vlú, “Melhor de Mim”, uma das canções do seu recente álbum oferecido pelo luso-cabo-verdiano, Boss AC, e pediu licença para cantar um fado que foi muito bem recebido pelos presentes.

Quando cantava "Beijo de Saudade”, Mariza avistou Tito Paris, um velho amigo da fadista, que se encontrava à frente do palco e saudou-o com muito entusiasmo. Tito subiu ao palco e a duas vozes voltaram a cantar “Beijo de Saudade”.

 “Para mim o Tito Paris é o representante masculino da música cabo-verdiana”, disse mostrando a sua admiração pelo músico cabo-verdiano.
Anunciou o fim do seu show com “Rosa Branca” e fez uma selfie com o público para as suas redes sociais.

O público pediu “só mais um” e Mariza voltou para contar “Lua nha testemunha” em coro com o público. A atuação terminou em festa por volta das 23 horas.

Os que não estiveram no recinto do festival só puderam acompanhar a atuação de Mariza na RCV (Rádio de Cabo Verde) já que o direto da TCV (Televisão de Cabo Verde) só arrancou na segunda atuação. Segundo informações foi a própria artista que não permitiu a transmissão da sua atuação.

 

Encontro de Vozes reuniu nomes sonantes da nossa música tradicional

O Encontro de Vozes, que reuniu nomes sonantes da nossa música tradicional que vivem na ilha e na diáspora, arrancou com um solo de Chico Serra. O pianista esteve cerca de 20 minutos a deliciar o presente com os acordes do seu piano. Seguiu-se Ana Firmino que de entre outros sucesso cantou “'m Cria Ser Poeta” de Paulino Vieira que vez o público cantar em coro.

Armando Tito foi o artista que se seguiu. Muito aplaudido pelo público até fez malabarismo com a sua viola. “Estou muito emocionado. É a minha primeira vez no Baía das Gatas, estou muito feliz”, disse no fim.

Maria Alice trouxe sucessos de Toi Vieira e disse que estava emocionada por estar a cantar para o seu ‘povo’. De seguida subiu ao palco o showman Jorge Sousa. Titina, com a sua voz doce, cantou entre outros temas “Noite de Mindelo”.

Toi Cabicinha foi o artista que fechou as atuações do “Encontro de Vozes” e começou por cantar a morna “Cize”. Também fez o público dançar com ritmos do funaná com a música “Tunuca”.

Sob o signo da amizade, convivência e responsabilidade, o festival Baía das Gatas recebeu pela primeira vez o artista angolano Badoxa. O público já não aguentava a ansiedade de ver o artista que, devido a um problema técnico demorou um pouco para subir ao palco.

E quando subiu o público entrou em delírio. Cantou vários sucessos, alternando entre ritmos quentes e suaves. “Mulher perfeita”, “Tá-me esperare”, entre outros sucessos que fizeram parte do repertório do artista, ecoaram no recinto do festival com a voz do público ao fundo.

Houve tempo ainda para improvisos e Badoxa mostrou as suas habilidades como dançarino. Terminou a atuação com a música “Controlar” depois de quase uma hora e meia de espetáculo.

 

Badoxa promete para breve muitas surpresas. Revelou ao SAPO que tem estado a treinar o seu crioulo e que já no próximo trabalho poderá cantar em crioulo.

 

“Nunca vi povo tão alegre como este”, Joelma


Passava das 5h25 quando a brasileira Joelma entrou em palco. O público não arredou pé e queria ver pela segunda vez no palco do Baía a brasileira que já tinha aqui estado com a banda Calypso.

Como já era de esperar, Joelma “incendiou” o areal do festival com uma atuação enérgica e alegre. No alinhamento de Joelma entraram músicas dos seus dois trabalhos a solo, “Avante” e “Joelma”.

A cantora brasileira, que recentemente divorciou-se do Chimbinha, seu ex-marido e companheiro de grupo, no Calypso, parabenizou os presentes pela energia e elogiou o festival.

Anunciou por duas vezes o fim do show mas não resistiu aos apelos do público que pediam mais música.

“Se vocês quiserem ficamos aqui até ao amanhecer”, disse Joelma quando entrou em palco e eram quase 7 horas da manhã quando despediu-se do público.

Joelma despediu-se do público enrolado a uma bandeira de Cabo Verde. “Nunca vi povo tão alegre como este”, afiançou no fim atestando a euforia que o público acompanhou o espetáculo do início ao fim.

 

Segundo Anísia Neves, responsável de turno da Cruz Vermelha, a primeira noite do festival correu de forma tranquila, apenas um caso grave de registo que deu entrada na tenda da Cruz Vermelha já no fim da atuação de Joelma.

 

"Tivemos um caso grave de uma criança que foi deixada pelos pais dentro de uma tenda sozinha enquanto assistiam o show da Joelma e quando voltaram à tenda encontraram a criança a convulsionar. Aqui tentamos, com os meios que temos, estabilizar a criança e foi encaminhada ao Hospital Batista de Sousa", diz.

 

Não foi possível chegar à conversa com o comandante das operações da Polícia Nacional para fazer o balanço do primeiro dia.


O festival continua hoje, 12, com as atuações de Anselmo Ralph, Dudu Nobre, Anísio e Constantino, Djodje e Alborosie. Os DJ’s Kevy e FatBoy farão as honras da casa a partir das 20 horas.

 

Veja quem esteve no palco no primeiro dia aqui

 

O público que esteve no baía aqui


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